Piauí Magazine


“O personal serve para ajudar a pessoa a se vestir, mas a boa educação ela tem que trazer de casa”
novembro 21, 2009, 5:02 pm
Filed under: Reportagem | Tags: , , , ,

texto e vídeo: Layanna Maiara

Daniel Paixão é piauiense, oriundo da cidade de Campo Maior e já atua há 10 anos como personal stylist no Piauí. Apesar do mercado local restrito para esse tipo de profissional, ele afirmou, em uma entrevista pontuada por algumas críticas, que este é um mercado em crescimento e conta como começou a praticar essa atividade. Além disso, em vídeo, ele deu dicas de como se vestir bem de acordo com as tendências atuais.

Confira a entrevista abaixo:

PM. Como você entrou para o mercado de personal stylist?

Daniel Paixão – Eu sou meio que autodidata por que eu não tenho nenhum curso técnico ou superior na área de moda, o que eu tenho são alguns cursos de extensão em moda. Na verdade, eu sou formado em publicidade e agronomia.  Porém, minha paixão por moda é antiga. Eu penso que moda é comportamento, é “uma leitura do mundo”.  Lembro que comprei a primeira revista de moda aos 15 anos de idade e foi na efervescência dos anos 90. Nesse momento, o Brasil não era um grande exportador de moda como hoje é – que exporta modelos, marcas, roupas, idéias, conceitos. E eu gostava da “brasilidade” que o Brasil jogava na passarela. No tempo, não tinha São Paulo Fashion Week,  e sim, “Morumbi Fashion”, “Barra Shopping Fashion”, mas eu adorava aquilo, aquele “burburinho”. Na época, as modelos eram a Cláudia Lins, a Monique Evans, que ainda era veterana, e hoje, já é aposentada. E eu sempre gostei do fato do Brasil adaptar o país à moda e não, o brasileiro se adaptar ao conceito americano ou europeu – que é o que o resto do mundo faz. Hoje, o Brasil faz uma moda própria, que veste a brasileira, o bumbum , a perna, que veste o biotipo do corpo do brasileiro. E eu penso que o interessante é isso, por que, se você segue o padrão internacional, você fica meio perdido. Enfim, eu comecei a gostar de moda pela forma com o brasileiro interpretava a moda. Eu lembro que, na época, a Carla Perez dançava com aquele cabelo cacheado e eu achava aquilo muito brega, mas, ao mesmo tempo, eu via que as mulheres se espelhavam muito naquilo. E ela tinha sim influência na moda, com aqueles shortinhos curtos e tal… Então eu fui observando várias vertentes da moda: a moda comercial, conceitual, da passarela, a moda que as pessoas usavam nas ruas e foi por esse interesse que eu resolvi seguir essa profissão.

PM. Desde quando você exerce essa atividade?

Daniel Paixão – Depois de um bom tempo estudando moda, apareceram os primeiros convites para trabalhar com moda e eu comecei a produzir desfiles. E o produtor de desfile acaba sendo produtor de moda, por que ele tem criar alguns conceitos para apresentar na passarela, até porque, não pode ser uma coisa baseada na mesmice sempre. E as coisas foram andando, até que em 2000, na cidade de Corrente, um candidato a prefeito de lá – para quem eu estava trabalhando – ia para um comício com uma roupa totalmente inadequada e eu falei: “Essa roupa não ‘tá’ legal, Fulano. Não vai assim não, por que você não vai passar credibilidade nenhuma para o teu eleitorado”, ele me perguntou: “Por quê?” e  eu expliquei quais eram os problemas com a roupa dele. E depois, quando acabou a campanha, ele me disse e que eu tinha prestado uma consultoria de moda para ele e que essa consultaria tinha mudado o estilo dele de se vestir. E foi aí que eu comecei essa carreira.

PM. Qual a sua qualificação nesse setor?

Daniel Paixão – Eu tenho alguns cursos, por exemplo, “planejamento de coleção”, “extensão em marketing de moda”, “desenvolvimento de tendências” e tenho alguns fora do Piauí e outros cursos pequenos oferecidos pelo Sebrae. Porém, eu preciso falar uma coisa: não é querendo desmerecer o curso de moda, até porque é um curso difícil, tem muita história, muita matemática para poder aprender a fazer as modelagens, mas eu penso que a moda, assim como a comunicação, é inerente ao ser humano. Ou você entende disso ou não entende. Eu penso que o curso superior serve você aprimorar esse “conhecimento inerente”.  Eu acho que depois de 10 anos trabalhando com moda, isso me dá uma certa qualificação. Claro que eu tenho muito para aprender, até porque a moda é efêmera, passageira e se renova todo dia. Eu não posso parar de ler sobre moda hoje e achar que sei de moda sempre. Se eu fizer isso, eu posso até ter boa referência para o passado, mas aquilo que está acontecendo nesse momento, vai ser difícil para eu perceber, ou, pelo menos, prospectar aquilo que vai ser moda daqui a dois meses. Se você me perguntar o que vai ser moda daqui a dois meses, por conta da minha atualização, eu tenho condições de te responder isso.

PM. De acordo com a sua experiência, como você avalia o mercado de personal stylists no Piauí? É lucrativo?

Daniel Paixão – Eu acho que o Piauí tem muitas pessoas que possuem qualificação para dar consultoria de moda e muitas que precisam desse tipo de consultoria, mas que, por conta de uma personalidade forte, uma cultura muito arraigada, muito “bairrista”, aquela cultura de que “eu tenho meu estilo”, “eu tenho minha moda”, acabam não aderindo ao hábito de procurar uma pessoa que entende um pouco mais disso. Se você assistiu ao Esquadrão da Moda com a Stephany, você consegue perceber nela a representação típica do piauiense, que é aquela coisa do “eu tenho meu estilo e sou feliz desse jeito”. Mas o mundo não funciona desse jeito, por que mundo não gira em torno da Stephany, ele tem o seu próprio eixo e nós temos que nos adequar a esse eixo, a essas propostas mundiais. Obviamente que nós não podemos ser “fashion victims”, que é aquela pessoa que consome tudo que é moda, mas você pode pegar algumas coisas e adaptar ao seu estilo e biotipo. Agora, eu acho que, se você contrata um arquiteto para cuidar da sua casa, se você dá sua boca pra um dentista e sua pele para um dermatologista, por que não entregar a sua aparência para um personal stylist? Eu penso que mercado só não é maior por que as pessoas aqui no Piauí têm vergonha de se vestir bem e parecerem pretensiosas.  Mas é um mercado que pode crescer bastante com o desenvolvimento do estado.

PM. Como é a sua clientela?

Daniel Paixão – A minha clientela é formada basicamente por pessoas que têm uma certa visibilidade social e precisam se preocupar com a aparência, como por exemplo, políticos, jornalistas, empresários. Na verdade, eu acho que qualquer ser humano tem que se preocupar com aparência. E eu te digo que hoje aparência conta muito, por exemplo, entre duas profissionais com condições iguais de qualificação e uma é bem vestida e a outra não, a que se veste bem fica com o emprego.

PM. Sabemos que o personal stylist trabalha com a aparência. Baseado nisso, que tipo de pesquisa você faz para melhor atender os seus assessorados?

Daniel Paixão – Eu faço pesquisa sempre, não só para atender os meus clientes, mas para atender a minha própria curiosidade. E quando eu falo de pesquisa, eu falo das tendências mundiais, por que cada pessoa tem as suas particularidades, tem suas características pessoais. Por exemplo, quando uma pessoa vem me pedir uma consultoria, eu pergunto logo que locais ela frequenta, com o que ela trabalha, ou seja, eu procuro saber o ambiente, o universo em que ele está inserido para poder atendê-lo melhor. Eu não posso fazer com que o meu político hoje vista um terno Armani, eu acho isso uma afronta na realidade que o país vive hoje, onde existe um monte de gente passando fome. Eu sugiro um terno bem cortado, bacana, mais barato que seja condizente com a situação do nosso país, até porque, ele não está na Itália, ele vive em um país de terceiro mundo. Não obstante, eu penso que a Ivete Sangalo deve usar uma roupa mais elaborada, por que ela trabalha no palco, ela tem que seduzir as pessoas. São realidades diferentes.

PM. O que você diria para quem está pensando em procurar um personal stylist?

Daniel Paixão – Olha, não tem roupa no mundo que consegue cobrir má educação. Não tem personal no mundo que consegue melhorar aquela mulher deselegante que fala alto nos lugares, aquele cara mal educado que é grosseiro as pessoas. Atenção rapaziada que está procurando um personal, se olha no espelho primeiro e corrige alguns defeitos que o personal não vai poder corrigir, como a boa educação. As pessoas confundem muito a figura do personal stylist com a de um professor de etiqueta e é não bem assim. Eu não preciso dizer que você não pode cruzar as pernas com uma minissaia, por que você tem que saber disso de casa. Eu não preciso dizer que você está com pele sobrando no braço e que, por isso, você não pode usar uma blusa decotada mostrando o braço, por que vai ficar deselegante. Eu acho que o personal serve para ajudar a pessoa a se vestir, mas a boa educação ela tem que trazer de casa.

PM. O que você indica para quem quer seguir essa profissão?

Daniel Paixão – Leitura. Muita leitura e pesquisa. O mundo está cheio de informação e é preciso estar de atualizando permanentemente quando você trabalha com moda.

Veja o vídeo em que Daniel Paixão dá dicas para quem quer se vestir de acordo com as tendências atuais:


1 Comentário so far
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E verdade que voce e gay ou voce so queima a rosca? rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Comentário por antonio carlos




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