Piauí Magazine


Além do ecologicamente correto
novembro 13, 2009, 12:16 pm
Filed under: Reportagem | Tags: , , , ,

texto e fotos: Layanna Mayara

Você já imaginou usar um colar feito a partir de sementes de melancia ou coco? Calma, isso não é mais uma das idéias ecologicamente corretas, não! Esse tipo de acessório existe e é chamado de biojóia ou ecojóia.

 As bijuterias ecológicas têm como característica principal a utilização de elementos naturais, como: fibras, couro, palha, madeiras, penas e tudo mais que a natureza puder oferecer. Além disso, podem ser mais refinadas se forem combinadas com a presença de metais ou pedras preciosas.

 O Brasil possui um grande potencial nesse setor de acessórios, pois, pelo fato de ser um país com dimensões continentais, conta com uma grande diversidade de vegetação. Cada região brasileira possui recursos naturais que podem ser utilizados na produção de ecojóias.

 No Piauí, a produção de biojóias ainda é considerada inicial. A Associação da Central de Compra da Arte bijuteria de Teresina (ACCABT), que, atualmente, é formada por 12 designers, possui a marca Bioarte e é a pioneira na fabricação de ecojóias no Estado. Antônia Alves, presidente da ACCABT, afirma que optou produzir esse tipo de bijuteria por que não tinha ninguém trabalhando com isso no Piauí e pelo baixo custo dos materiais, que são alternativos e podem ser aproveitados ao máximo.

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Brincos ecológicos elaborados a partir de sementes

 A qualificação das artesãs foi adquirida a partir da realização de um curso de design em biojóias oferecido pelo SEBRAE, que, segundo a designer Rosália Borges, foi muito importante, por que, além da oportunidade de desenvolver e aperfeiçoar as técnicas de montagem de bijuterias, as peças produzidas possuem uma valorização maior. “Muitas pessoas fabricam bijuterias, mas as peças que nós produzimos têm um design diferente”, afirma Rosália.

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Designer Rosália mostra o colar feito de sementes

 A produção de um adereço pode levar de 20 minutos a duas horas de duração. Antônia esclarece que depende muito do tipo da peça e observa que “é preciso fazer um trabalho de elaboração antes, para que não haja desperdiço do material”.

 No caso da biojóia piauiense, os materiais mais utilizados são: a carnaúba, o buriti e o coco.  Esses materiais são abundantes no Estado e podem ser aproveitados ao máximo. O buriti, por exemplo, além da casca, do caroço e do cascalho, possui a fibra, que pode ser utilizada para várias finalidades.

 As sementes e demais produtos naturais utilizados na fabricação das peças são fornecidos por Francisco Nascimento – mais conhecido como “Chico da semente” – que colhe os materiais e vende para a Bioarte. Ele conta que não é tão difícil encontrar material, pois o Piauí possui muitos recursos naturais. “Eu costumo coletar muito material na beira dos rios aqui de Teresina (Poty e Parnaíba), nesses lugares há abundância de sementes”, afirma.

 Além de coletar a matéria prima, o “Chico da semente” também faz o polimento e fura o material, assim, o produto já chega pronto nas mãos das artesãs. Chico ainda acrescenta que as máquinas que ele utiliza para tratar a matéria prima foram construídas por ele e que além do Piauí, fornece para outros Estados como, Ceará, Bahia e São Paulo.

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“Chico da semente” conta quais matérias são usados na fabricação de biojóias

 Apesar de dar preferência aos recursos naturais do Piauí, as biodesigners piauienses também utilizam insumos naturais oriundos de outros estados. Há muitas peças que possuem sementes de açaí (originária do Pará) e saboneteira (Maranhão).

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Colares de sementes

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Pulseiras com sementes tingidas

Mercado 

 Apesar da boa aceitação das bijuterias ecológicas no mercado e de ser um produto com um grande potencial lucrativo, a comercialização de biojóias piauienses tanto no Piauí, como em outros estados, ainda não é muito significativa. Antônia declara que, quando se fala em mercado nacional, “a maior penetração das ecojóias piauienses acontece em São Paulo e Brasília.”  Além disso, Antônia acrescenta que a Bioarte já participou de feiras em quase todos os estados do Brasil.

A artesã Rosália observa que ainda falta oportunidade para expor o trabalho, ela confessa que o estande que a Associação possui na Central de Artesanato é montado e desmontado todo dia pelas próprias artesãs.

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Estande da Bioart na Central de Artesanato

 Quanto ao público consumidor, as designers afirmam que os turistas são maioria. Elas explicam que o melhor período de vendas corresponde aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, que são justamente os meses em que o fluxo de turistas aumenta no Piauí.

As artesãs consideram que este ainda é um negócio pouco explorado e que tem tudo para crescer, já que o Estado possui matéria prima em abundância e pessoas qualificadas para trabalhar nesse ramo.

Clientela

 Os clientes se dizem maravilhados com o trabalho artesanal que as mulheres da Bioart realizam. Jane Botelho, oriunda da cidade de São Luís, afirma que esse é tipo de bijuteria ela compra e usa muito, pois aprecia bastante a composição artesanal das peças.

 Já a estudante Raiara Monteiro declara que a biojóia “usada com uma camiseta básica” deixa o visual mais sofisticado e diferente. Ela acrescenta que gostou tanto da proposta estilística da ecojóia, que está fazendo um curso que ensina a confeccionar essas bijuterias.

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Jane Botelho prova o colar de sementes com crochê

 Nova tendência

 A ecojóia é a nova aposta do setor de moda em termos de acessórios. Em tempos de “pense verde”, nada mais adequado do que substituir máquinas que, muitas vezes, agridem o ambiente, por uma produção mais “ecologicamente limpa”.

 Além do apelo ecológico, Antônia afirma que a Bioarte está sempre tentando se adaptar ao que está sendo usado nas passarelas, para que as peças fiquem sempre bem atuais. “Se estão utilizando muito crochê, nós tentamos incorporar esse elemento na bijuteria”.

 Outros produtos como, tiaras, chaveiros e fivelas para cabelo também são produzidas. E como as artesãs trabalham principalmente com a criatividade, as idéias não param de surgir. O novo pensamento agora é começar incorporar metais nobres, como a prata, nas bijuterias da Bioarte.

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Fivelas e chaveiros

 

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Tiaras

 O estande da Bioarte está localizado na Central de artesanato e o horário de atendimento é de 8:00 às 18:00 horas.

Confira o vídeo em que a designer Rosália Borges apresenta algumas peças:


6 Comentários so far
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[…] das marcas produzidas no Centro de Produção, o evento contou com cursos de customização e biojóias, palestras, shows musicais e praça de alimentação. Evento contou com exposições, cursos, e […]

Pingback por Semana de Moda do Mocambinho movimenta zona Norte « Piauí Magazine

como faço para comprar produtos da bioarte? sou do interior de são paulo

Comentário por Charles

Adorei essas bijou, sou de São Paulo e gostaria de aprender a fazer. Tenho parentes no piauí, são raimund nonato, e se possível me envie seu endereço pois pretendo visitar meus parentes e quem sabe aprender a fazer essas coisas lindas!!!!11Parabéns.

Comentário por rute miranda

Ola.Sou de Sao Paulo.Minha namorada e de Los Angeles e se interessou muito pelas pecas da Rosalia Borges e da Bioarte em geral.Como faco para entrar em contato com voces.Meu fone e de Sao Paulo, codigo 011
numero 96435480.Meu email e chris.piason@bol.com.br.
Aguardo resposta assim que possivel
obrigado

Comentário por christian piason

S

Comentário por christian piason

Oi, estou procurando artesãs de acessórios femininos, e na pesquisa encontrei você no you tube adorei seu trabalho, como faço para entrar em contato com você?
Aguardo retorno

Comentário por JOSELI CLITON BEZERRA




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